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terça-feira, 15 de dezembro de 2015

Para os interessados em adquirir o "A Origem da Língua Portuguesa" aos balcões de livrarias, segue-se uma listagem com algumas delas. 

Livraria Les Enfants Terribles
Cinema Nimas
Av. 5 de Outubro, 42B
1050 Lisboa

Livraria Nun’Álvares
Rua 5 de Outubro, n.º 59
7300-133 Portalegre

Livraria Papelaria 115
Praça 8 de Maio, n.º 29
3000-300 Coimbra

Livraria Branco
Rua Dr. Roque Silveira, n.º 95
5000-630 Vila Real

Livraria Caminho
Rua Pedro Santarém, n.º 41
2000-223 Santarém

Representações Online
Praça do Comércio, n.º 108
4720-337 Ferreiros AMR

Livraria BrincoLivro
Rua Alexandre Herculano, 301
3510 – 038 Viseu

Livraria Universo
Rua do Concelho, n.º 13
2900-331 Setúbal
  
Livraria de José Alves
Rua da Fábrica, n.º 74
4050-246 Porto

Livraria Esperança
Rua dos Ferreiros, 119
9000-082 Funchal

Nazareth e Filho
Praça do Giraldo, 46
7000-406 Évora

Livraria Graça
Rua da Junqueira, n.º 46
4490-519 Póvoa do Varzim

Aliete S Clara Brito
Avenida 25 de Abril, lote 24 R/C
8500-511 Portimão

Livraria Caravana 
Morada Sede: Av. 25 de Abril, Edf. Vila Flôr 6º 
 8100-596 Loulé 

Livraria Papelaria Meneses                             
Rua da Sobreira, n.º 206 Paços de Brandão
4535- 297 Aveiro     

Está disponível online no nosso site e na FNAC.PT,  Wook, na bertrand Online e no Sítio do Livro.

É possível, também, encomendá-lo em qualquer balcão Fnac, Book.it e Bertrand.

quinta-feira, 5 de março de 2015

Sobre o topónimo "Avelã"

O significado dos nomes dos sítios que geralmente se faz deve ser repensado, compreendendo que na maior parte dos casos esses nomes são de grande antiguidade e as palavras que lhes deram origem já se não usam nos nossos dias. Por isso a semelhança entre os nomes dos sítios e palavras atuais da nossa língua é quase sempre enganadora. O exemplo que vou dar, ainda que simples, ou por isso mesmo, ajuda a perceber a situação. 

É bom de ver que o topónimo "Avelã" não tem qualquer relação com árvores ou arbustos fruteiros. De facto o topónimo “Avelã” ou as suas variantes – “Avelão”, “Avelãs”, “Abelã” – deve ter nascido da existência de um poço, que em fenício se diz “Ab” ou “Av” junto do qual se parava em viajem para descansar ou pernoitar – em fenício “ln”. Assim, de “Av lan” ou “Ab lan” se formou o topónimo “Avelã” e suas variantes com o significado genérico de “paragem do poço” ou “dormida do poço”. Deve portanto tratar-se de locais por onde passavam antigos caminhos com alguma importância. Não é por acaso que existe o topónimo “Avelãs de Caminho”, nem como o “Castro de Avelãs” e o “Castelo de Avelãs”.



Fl. 197 da Carta Militar de Portugal na escala 1:25000, 

Esta situação, em que um topónimo parece significar algo em português atual, mas a sua origem e significado são completamente diferentes, repete-se constantemente: "Malavado" não significa "sujo", mas antes "poço de água que transborda" (ml av ad); "Asneira" não é sinónimo de "disparate" nem de "terra de asnos", mas antes de "rio do Norte" (de “hṣn” significa “do norte”, e “nhr” que significa "rio"); “Fome Aguda”, “Famaguda” ou mesmo “Formaguda” são variantes de um original “fØm aḥd” [fâm agd] que significa apenas “caminho único”, e nada têm que ver com "fome", "fama", ou "forma"; "Cabrassada" não quer dizer que alguém tenha comido uma cabra assada... significa simplesmente "encosta das sepulturas"...
As interpretações tradicionais da toponímia, bem vistas as coisas, parecem jogos de palavras infantis, que em pleno século XXI são positivamente incompreensíveis e inadmissíveis. Impõe-se por isso um trabalho sistemático e profundo da toponímia portuguesa, trabalho esse que nos poderá vir a proporcionar um novo e melhorado olhar sobre o espaço e sobre o seu passado.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

"MIRA" E A TERRA FÉRTIL

É provável que o radical “mira”, tão comum na nossa toponímia, tenha pelo menos duas origens diferentes. Por um lado há topónimos em que este “mira” está relacionado com o verbo latino “mirare”, e portanto uma relação com o “mirar” do português atual. São exemplos de topónimos com esta origem os “Miradouro”, os “Mirante”, etc. Há contudo outros topónimos que por certo têm uma raiz diferente. É o caso de “Miranda”, “Ramiro”, “Almiranta”, “Odemira” e mesmo de “Mira” quando ocorre isoladamente. Neste caso o radical “mira” deve provir do termo fenício “mr’” (em acádio “mari”), e significar simplesmente “terra fértil”.
Enquanto os topónimos do primeiro grupo são muito abundantes nas nossas ilhas atlânticas, os do segundo grupo são aí inexistentes. Este facto sugere que o radical fenício “mr’” já não devia ser usado com o significado de “terra fértil” quando as ilhas foram colonizadas, e que por seu lado já era usado nessa época o verbo “mirar” de origem latina.
O significado dos topónimos de origem fenícia pode ter explicações interessantes. Por exemplo, “Miranda”, deve provir de “mr’” (que significa “terra fértil”) e de “Ømd”, que significa “lugar”. Assim as nossas “Mirandas” devem ter significado apenas e simplesmente “lugar de terra fértil”. Pode contudo este “anda” de “Miranda” provir de “Ømdh”, com o significado de “refúgio, posto”. Nesse caso o nome resultaria da existência de algum tipo de proteção defensiva (um castelo, uma torre de vigia uma cerca simples de troncos?), e o nome teria o significado de “refúgio da terra fértil”.

Localização dos topónimos “Miranda” segundo mapa produzido em http://www.igeoe.pt/igeoesig/

Já os topónimos do grupo “Ramiro” (Ramiro, Ramirão, Ramira, Ramires), devem ter relação com pastagens em terra fértil, e o nome deve ter nascido de “rØh mr’”, termos fenícios que significa respetivamente “pastar” e “terra fértil”.

É claro que o topónimo “Odemira” corresponde à junção do radical de origem árabe “ode” ao nosso mais antigo “mira”. Ora este “ode”, comum a “Odelouca”, “Odesseixe”, “Odivelas”, “Odemira”, etc., provém do “uad” árabe, que significa “rio” e deve ter sido acrescentado ao radical “mira” que já existia. Terá tido então o significado de “rio da terra fértil”. O mais curioso é que nome do rio acabou por perder a partícula que inicialmente significava “rio”. De resto faz algum sentido, porque chamar ao rio “rio de Odemira” corresponde na prática a dizer “rio de rio mira”.

segunda-feira, 14 de julho de 2014

Fronteiras antigas e modernas

Mesmo em muitas populações animais o “território” é algo de fundamental para a vida dos grupos. Para o Homem deve ter sucedido o mesmo desde o tempo em que dependia da caça e recoleção, mas a importância do "território posse" de uma comunidade ampliou-se certamente após a  sedentarização e desenvolvimento da agricultura, dado o enorme esforço que é necessário para transformar um espaço natural numa paisagem humanizada (com os seus campos arroteados, plantações de árvores de fruto, silos, casas, estruturas defensivas para humanos e animais, poços, etc.). Por isso os limites dos territórios foram referência espacial de primeira importância, e criaram um conjunto de topónimos que ainda hoje se podem encontrar no país.

Em Portugal existem pelo menos dois conjuntos de topónimos que corresponderam a nomes dados a antigas fronteias: Os da família de "Miséria" (mas com variantes como "Macieira", "Maceira", "Meixeira", "Ameixeira", etc.), e os da família de "Cavalo" (com variantes como "Cavaleiro", "Carvalheiro", etc.). Vejamos um exemplo.

Os topónimos “Miséria” e “Misérias” ocorrem apenas onze vezes na Carta Militar de Portugal. Em acádio, “MISRU” significa o mesmo que “MESRU” em assírio: “fronteira, território”. Repare-se na imagem em baixo que dos dez topónimos registados nas cartas dos S. C. E. ainda hoje oito são pontos de fronteira de concelhos, e os restantes poderão ser limites de outras realidades administrativas ainda existentes (freguesias), ou ter sido de concelhos extintos, feudos desaparecidos, etc.


Outro radical que em "fenício" está relacionado com “limite de território” é “GBL”. Vejamos o significado nas línguas antigas do Próximo Oriente desta palavra e de palavras foneticamente próximas: a palavra “GB’” em ugarítico significa “colina, altura”; “GBØH” em hebraico antigo é “colina, outeiro, elevação”, o que é basicamente o mesmo. “GBL”, em ugarítico, significa “limite, fronteira; cimo, monte”, e em hebraico antigo é “montanha, fronteira, limite, fazer a divisão, marcar o limite ao redor de”, o que confirma a ideia anterior (dada por “GB’”) e a especifica. Por outro lado “QABAL”, em acádio, significa “ao meio de”, mas há também várias formas foneticamente próximas cujo sentido se relaciona com conflitos: “QABÂLU” em assírio é “afrontar-se com o inimigo, lutar”; “QABLU” em acádio significa “encontrar-se hostilmente, combate”, etc.

É possível que entre nós tenha sido usado principalmente para designar limites em áreas pouco ocupadas de serra ou campos pobres, mas que eventualmente tenham sido alvo de litígio na sua definição por parte das comunidades vizinhas. Mas isto para já é apenas uma possibilidade.

Este radical deu origem a topónimos com “Cavala” e “Cavalo” , “Cavaleiro” e “Cavaleira” e ainda “Carvalho”, “Carvalheiro” e Carvalheira”, e outras palavras próximas [1]. Verificou-se neste caso uma evolução do “G” original do "fenício", para um “C” do português atual, e num fenómeno comum de aproximação a palavras do português padrão, e a habitual “colagem” a palavras existentes no léxico das populações locais.

Embora muitas vezes os topónimos deste grupo correspondam a limites de unidades administrativas atuais, como freguesias, concelhos ou mesmo distritos, eles devem também ter sido usados para designar limites de propriedades comunitárias das aldeias, de pastagens de determinadas comunidades, etc.

O desenvolvimento destes estudos baseados na interpretação da toponímia com base na língua pré-latina  (a que de facto era falada pelo povo que criou os nomes dos sítios) permitirá conhecer muito mais do nosso passado: caminhos, povoações, necrópoles... Está tudo lá, é só preciso saber ler...




[1] - A “Carta Militar de Portugal” na escala de 1: 25 000 regista  mais de 200 locais cujo nome é da família de  “cavalo”, e da família de “carvalho” tem perto de mil.

quinta-feira, 12 de junho de 2014

Como os latinistas escondem a origem fenícia da língua portuguesa

A ideia de que o português nasceu de uma língua a que podemos chamar “fenício” não é nova, apenas tem sido sistematicamente escondida por latinistas medíocres. Tentam fazer crer que a língua do povo foi esquecida e que esse mesmo povo (que somos nós) era constituído por uns matarruanos abrutalhados que não só deixaram de falar a sua língua, como nunca aprenderam a falar latim devidamente.

Contudo ao longo dos tempos muitos intelectuais constataram o óbvio: a língua que o povo falava antes da conquista romana era uma língua do grupo semita ocidental, que essa língua sobreviveu e é parte fundamental do português que falamos. Veja-se o que diz em 1712 D. Raphael Bluteau:

“(…) Primeiro que imperassem na Hispânia ao Romanos, é certo, que as duas nações a que chamamos Castelhana e portuguesa falavam alguma língua, se a língua Fenícia ou Cartaginesa, se outra composta destas duas, ou misturadas com idiomas de Gregos, Galos e outros povos adventícios, não o examino nem tenho notícia suficiente para decidir questão tão intricada como esta.”


D. Raphael Bluteau, “Vocabulário Portuguez e Latino” em 1712

domingo, 13 de abril de 2014

A PIADA QUE TEM A ORIGEM DA "PIADA"

A nossa palavra “piada” tem uma origem pouco comum. Evidentemente que o “pi” inicial provém do “p’” (ou formas próximas, como “pu”), que significa em fenício “falar, dizer”; já a parte final da nossa “piada”, o “ada” vem por certo de “ĥadu”, que em acádio e assírio significa “alegrar-se, alegria, alegre” (ou da forma equivalente do hebraico antigo – “ḥdh”). Assim a “piada é à letra “falar alegre”. 
O que aqui tem piada acaba por ser a explicação que usualmente se dá para a origem da palavra "piada": diz-se que se relaciona com o verbo "piar". Mais parece pensamento de passarinho...

sábado, 5 de abril de 2014

“Zebral”, “Arca”, “Orca”, “Selada”, “Soldo” e "Anta"


Com o desenvolver da investigação que vou realizando sobre a toponímia de origem fenícia, cada vez mais me vou apercebendo da grande antiguidade de alguma dela. Já tinha reparado (e escrito) que entre os topónimos de muito grande antiguidade se podiam referir os da família de “zebro” e de “sobro” (por exemplo “zebral” e “sobral”) que têm origem no radical fenício "sbr", que significa "amontoar, fazer um monte". O nome deve ter sido usado em várias situações em que se criava um monte artificial, e não será necessário dizer que existe um número anormalmente grande de mamoas[1] e antas em Portugal que estão em locais conhecidos como "Zebro", "Zebra", "Sobro", “Sobral”, “Zebral”, etc. Concluo daí que estes nomes foram criados na época em que as mamoas foram feitas, ou seja durante o Neolítico e Calcolítico. Por isso o nome se refere ao processo construtivo - "amontoar, fazer montes", e não à forma existente cuja origem se desconhece.
Outros topónimos que o povo português ainda hoje usa quando se refere a antas ou dolmens, bem com às mamoas que por vezes ainda os cobrem, são “orca” ou “arca”. Têm ambos a mesma origem e foram igualmente criados aquando da construção desses montes artificiais a que hoje chamamos “mamoas”. Tal como no caso dos do grupo “zebro” também estes se referem ao processo construtivo, já que em fenício “Ørk” (pronunciado “ãerk” ou “õerk”) significa também “montar em camadas, empilhar”.
Por último existem os topónimos que nasceram dos radicais fenícios “sll Øth” [sellãete], como “Selada” ou “Soldo”. Este “sellãete” significa igualmente “cobrir a construção”, “envolver a construção”, “cobrir amontoando”, etc. Uma investigação simples permite ver que existem antas e mamoas com nomes dessa família[2].
É interessante perceber que em todos os casos os nomes que criaram os topónimos atuais nasceram do processo de construção, ou pelo menos foram criados por pessoas que conheciam o processo construtivo: sabiam que aquelas elevações correspondiam a montes artificiais feitos pelo Homem, o que só pode ter sucedido a gentes contemporâneas da sua construção ou que ainda usassem o espaço de algum modo. Ora esta conclusão permite deduzir que se trata de topónimos muito provavelmente criados durante o Neolítico ou Calcolítico, e portanto que nestas recuadas épocas já por cá se falava esta língua a que venho a chamar de “fenício”.
Por último, um dos nomes que ainda hoje se usa para designar aquelas construções, a “anta”, pode provir de “mat” que significa “morto, cadáver”. Do ponto de vista fonético é absolutamente normal que o “m” ou o “n” que existia no início das palavras nas línguas do Próximo Oriente tenham sido entre nós nasaladas passando a “am” ou “an” (que foneticamente é o mesmo)[3]. Portanto do termo fenício “mat”, passou-se a “amt”, e daí à atual pronúncia “anta”.
Compreender a nossa antiga língua permite abrir uma janela que antes estava fechada…




[1] - Anoto aqui, como observação marginal, que a palavra que hoje usamos, "mamoa", existe pela semelhança à "mama", ou seja, foi criada tendo em conta apenas a sua forma e não o seu conteúdo interior ou o processo construtivo. É por isso um termo muito mais recente dado por um observador que só aprecia a forma.
[2] - Basta por exemplo consultar a “Base de Dados Endovélico” (em: http://arqueologia.igespar.pt/?sid=sitios) para verificar a quantidade anormalmente grande de sítios arqueológicos do Neo-Calcolítico que existem registados com estes nomes.
[3] - É o caso da nosso verbo “andar”, que nasceu do termo fenício, “ndd” [nade]>[ande], é “marchar, vaguear, mover”.

segunda-feira, 17 de março de 2014

Os “Zebro” e os “Sobro” e as mamoas Neolíticas


Uma boa parte dos topónimos antigos corresponde a elementos naturais do território, importantes para a localização e orientação dos habitantes da região onde nasceram. Há também nomes de sítios que surgiram de instituições humanas. Estes últimos são de comprovação geralmente difícil, porque muitas vezes não deixaram no território marca física que permita hoje demonstrar a sua origem.
Entre os topónimos de muito grande antiguidade que correspondem a obras do Homem ainda hoje reconhecíveis, vale a pena referir os que têm origem no radical fenício "sbr", que significa "amontoar, fazer um monte". Chegaram a nós após evolução de milhares de anos sobretudo nas formas "sobro" e "zebro", e estão claramente associados a mamoas e antas ou dólmens. É claro que os nomes "sobro" ou "zebro" foram criados no momento em que as construções foram realizadas, ou seja durante o neolítico e calcolítico, e por isso correspondiam ao processo construtivo - "amontoar, fazer montes". Já a palavra que hoje usamos, "mamoa", existe pela semelhança à "mama", ou seja, foi criada tendo em conta  apenas a sua forma  e não o seu conteúdo interior ou o processo construtivo. É por isso um termo muito mais recente.
Não será necessário dizer que existe um número anormalmente grande de mamoas e antas em Portugal que estão em locais conhecidos como "Zebro", "Zebra", "Sobro", etc.
Este novo conhecimento poderá ajudar os arqueólogos a encontrar monumentos megalíticos até agora desconhecidos, mas também a detetar as situações em que antigos monumentos foram completamente arrasados, e deles nada sobrou a não ser o nome.

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Sobre a origem de alguns nomes de divindades gregas.


A obcecação europeísta e antissemita, que criou a construção teórica do “indo-europeu”, tem impedido a compreensão de que a bacia do Mediterrâneo foi uma unidade cultural e linguística contínua, e não um espaço de confronto de civilizações com origens distintas. Essa grande comunidade cultural primitiva nasceu da grande difusão civilizacional que foi a diáspora neolítica dos povos do Médio Oriente que, pouco a pouco, foram ocupando terras de bom potencial agrícola até essa época sem ocupação humana permanente.
Imbuídos dessa ideologia fomos ignorando que há muito de comum entre as sociedades, línguas e culturas do Médio Oriente e as de vastas áreas do Mediterrâneo, procurando pelo contrário no interior do continente europeu a origem das culturas Mediterrâneas do sul da Europa. É evidente para quem se detenha a pensar, mesmo que brevemente, sobre a evolução aquilo a que chamamos de “civilização”, que a Europa esteve durante muitos milénios a uma enorme distância cultural e tecnológica do Médio Oriente. Já existiam povoados de grandes dimensões a que alguns chamam de cidades naquela região, e na maior parte da Europa ainda se vivia da caça e da recoleção.
Esta realidade vai ainda hoje sendo o mais possível ocultada pelos países do norte (os mesmos que “inventaram” a ideologia do “indo-europeu”) procurando criar um “berço” da civilização na Grécia antiga, como se ela mesma não fosse apenas uma extensão natural da civilização Médio-Oriental. Daí que mesmo ao nível do nome dos seus deuses… há coisas muito curiosas.
Hera, na mitologia grega é irmã e esposa de Zeus e rege a fidelidade conjugal, e pode ostentar na mão uma romã, símbolo da fertilidade.
– Hera (fertilidade) – o nome da deusa deve ter nascido da sua característica de propiciar a fecundidade. Repare-se que “hr” [êr] ou “hry” [êri] em ugarítico, “hrh” [êrê] em hebraico antigo, bem como “eru” em acádio, significa “conceber, engravidar”. Não tem certamente relação com a ideia de “ar” (em grego “aer”).
Héstia é a deusa grega do lar e dos laços familiares, simbolizada pelo fogo doméstico. É em torno da fogueira que se junta a família, e por isso o fogo do lar é símbolo da união da família.
– Héstia (o fogo doméstico) – por certo o nome tem relação próxima com o “išt” ugarítico, que significa precisamente “fogo”.
Deméter é a deusa grega da destruição, mas também da agricultura, da terra cultivada, das colheitas, das estações do ano, e em particular do trigo. Hoje pode parecer algo contraditório a mesma deusa propiciar a destruição e as colheitas, mas para a compreender convém relacioná-la com os ciclos da natureza e das sementeiras: estações do ano, a sementeira (“morte” da semente no interior da terra e o seu renascimento) e as colheitas. Parece ter relação com a “Inanna” suméria, que originou a “Ishtar” acádia, assíria e babilónica.
 – Deméter ou Demetra (mãe da destruição e da agricultura) – do acádio “damtu”, destruição.

Hedone é um “daemon” feminino (uma divindade grega do tipo “génio”), filha de Eros e Psique, que se relaciona com o desejo sexual e com o prazer. O nome latino equivalente é “dæmon”, que veio a dar origem ao “demónio” português. A evolução do significado do nome – de “deusa do desejo e prazer” para “demónio”, fonte de todos os males – corresponde à diabolização da própria sexualidade que acabou por ocorrer na Igreja Católica.
– Hedone (desejo, prazer) – o termo “Ødnh” [edêne] em hebraico antigo significa precisamente “prazer, desejo”. A palavra próxima “Ødn”, em hebraico antigo significa “viver em delícias, regalias”, veio a dar o nosso “eden” (o paraíso).
Selene é a lua, mas também a deusa do amanhecer. É a deusa da luz que combate a escuridão da noite. Tem como equivalente romana a deusa “Luna”.
 – Selene (lua) – de “ṣhl” que em hebraico antigo e ugarítico significa “resplandecer, fazer brilhar” (tal como o “sélas” grego). Talvez que também de “lin” (hebraico antigo) ou “ln” (ugarítico) que significa “passar a noite, pernoitar”. Portanto “ṣhllin” – “resplandecer da noite”.
Apolo era filho de Zeus e Leto, e irmão gémeo de Ártemis. Parece que era conhecido na Grécia como Apollon, e para os romanos era Apollo. Entre os etruscos era conhecido por Apulu ou Aplu.
– Apolo (o mais influente dos filhos de Zeus) – Certamente com relação próxima ao acádio “aplu”, com o significado de “filho herdeiro”, ou do assírio “aplu” com o significado de “filho”.
Afrodite é a deusa do amor, beleza e sexualidade. É a equivalente grega à deusa Venus romana. Por vezes associa-se indevidamente a origem do nome a “aphros”, que significa "espuma", traduzindo-o como "erguida da espuma".

– Afrodite (deusa do amor, da beleza e sexualidade) – provável relação com “iôpi”, “iØp” ou “iØph”, “iph” (em todos os casos o “p” pode ser lido “f”), termos que significam “beleza, resplendor, mostrar-se radiante, tornar-se belo”. Também existe a possibilidade de o final da palavra, o “dite” provir de “dd”, que em ugarítico significa “amor, amado, amante”, mas também “seios” (na forma assíria é “did” e na hebraica “dd”). Por outro lado “Ørih” é “nudez, estar nua”. Assim pode admitir-se a forma composta “iphØrihdid” com o significado de “amante bela nua”. Parece-me apenas possível. Mas ainda assim será uma hipótese de trabalho mais interessante que a usualmente referida “aphros” (espuma).

sábado, 18 de janeiro de 2014

A "QUELHA", A "CALLE" A "CALE" E O "CANALE"

Não restam dúvidas que as “Cale” da região de Aveiro são “canais”. Existem também os termos “cale” e “quelha” em português que equivalem à “calle” espanhola, que é um caminho ou uma rua, e ainda um tipo de embarcação usado nos rios do Minho a que se chama “cale” (um barco de fundo chato para navegar em canais pouco profundos). Correspondendo a ideia próxima e com uma fonética também semelhante temos ainda a palavra “calha”.



Costuma dizer-se que o nome vem do latim, de “canale”, que significa “canal”. No entanto, muito embora seja uma possibilidade aceitável, penso que entre nós a ideia genérica encerrada na sequência consonântica “c*l*” corresponde mais à ideia fenícia que se relaciona com situações em que a passagem de qualquer coisa é condicionada: seja de pessoas num caminho emparedado (a quelha, a calle, a cale) seja de água (a cale, a calha) seja de condicionamento de circulação de outros objetos (a calha “corrediça”, a calha “técnica”).
Repare-se que em acádio e em assírio “kalu” significa “conter, levar”, “kl’” em hebraico antigo significa “confinamento” e “klh” em hebraico antigo e “kla” em ugarítico quer dizer “encerrar”. Esta ideia geral de “conter, encerrar, confinar” é precisamente a que conduz tanto ao nosso “c*l*” como mesmo ao radical latino “c*n*l*” (de que é exemplo o “canale”). Sei que esta última ideia é um pouco mais difícil de perceber, mas vou tentar explicar o que penso que aconteceu:
Está fora de dúvida que as línguas antigas do Próximo Oriente são as mais próximas da antiga línguas do Neolítico que com a passagem do tempo vieram a difundir-se pelo mundo. O latim, como outras línguas antigas, bebeu nesta língua neolítica primordial, e muitas palavras latinas são composições criadas a partir dos radicais “fenícios”. É o caso deste termo latino“canale”. Em fenício “q*n*” é “cana, tubo, canudo”, etc.; por outro lado, como se viu, “k*l*” é “conter, encerrar, confinar”. O interessante é que a evolução fonética de “q*n*k*l*” se faz para “q*n*(k*)l*” e para “q*n*l*” (canale) e com significado que corresponde à junção dos dois radicais primordiais: “cana ou tubo confinante”, portanto “canal”. Sei que este fenómeno é complexo e não o conheço descrito por outros autores, mas tenho-o verificado em vários outros casos.

Em qualquer dos casos, e voltando às coisas mais simples, parece-me claro que o “canale” latino chegou até nós por via erudita através das elites urbanas e religiosas latinizadas dando origem ao nosso “canal”, mas as “quelha”, “calha” e “cale” são coisas do povo e da sua língua, e por isso são de origem popular e fenícia.

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

O BARLAVENTO E O SOTAVENTO





Usamos ainda hoje estes termos, tanto entre os marinheiros como enquanto designação de regiões. O “barlavento” é a área virada ao vento, a que está na direção do vento, a do lado do vento, enquanto o “sotavento” é a do lado oposto ao vento, portanto a que fica abrigada. A pergunta que se pode colocar é precisamente “qual a origem destes dois termos”? Por que motivo chamamos “barlavento” ao lado de onde sopra o vento? E porquê “sotavento” para o lado oposto?
Os dicionários consultados consideram ambas as palavras de “origem obscura”, pelo que em nada podem contribuir para o esclarecimento da situação. 
Sabendo-se que o “vento” de ambas é de origem latina, fica por clarificar a origem do “barla” de “barlavento” e o “sota” de “sotavento”.
Ora, parece que mais uma vez se pode encontrar no “fenício” a origem destas palavras. Em assírio “balru” significa “direção”, pelo que é fácil aceitar que o “balruvento” deu origem ao nosso “barlavento” após uma evolução fonética muito simples. O significado é indiscutivelmente semelhante, já que “balruvento” quer dizer precisamente o mesmo que “barlavento”, e que é simplesmente “direção do vento”.




Já em relação ao “sota” de “sotavento” parece que a situação é um pouco mais complexa. A palavra “sute”, em acádio e assírio significa “vento sul”, ou simplesmente “sul”, mas a palavra “sade” quer dizer “vento do oriente”. Pensando no Algarve, vemos que o “sotavento algarvio” é a parte oriental do Algarve, mas já se a referência for o arquipélago de Cabo Verde, o “sotavento” é o conjunto de ilhas que ficam a sul. Em qualquer dos casos trata-se de territórios que têm junto de si outros espaços por onde o vento dominante passa antes, a que se chama de “barlavento”. 



No caso do Algarve o vento dominante sopra de barlavento para sotavento, e outro tanto ocorre em Cabo Verde. Fica a hipótese de este “sotavento” corresponder à localização oposta à dos ventos dominantes, que por estas paragens do hemisfério norte vem dos quadrantes oeste ou norte. Daí que o nosso “sotavento” poder ter sido na sua origem o vento sul ou oriental, raro e oposto ao vento dominante. 

Se alguém tiver uma explicação mais interessante...

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

ORIGEM E SIGNIFICADO DO TOPÓNIMO "ÍLHAVO"

É possível que o topónimo “Ílhavo” signifique “costa das febres” e seja proveniente de “iili’abu” ou “iili’avu”. O radical “ii” significa em hebraico antigo “costa, litoral, ilha” e tem equivalente em ugarítico no termo “ay” ao qual é dado o significado de “ilha”. O termo “li’avu” é proveniente da “terapêutica mesopotâmica” (que é um glossário assírio especialmente interessante por conter termos ligados à medicina), e significa precisamente “febre”. Daí a possibilidade de “Ílhavo” ter significado originalmente “terra da febre”, e o nome de toda a região ter mais tarde ficado ligado à povoação.


Não me parece descabida esta possibilidade, visto que em tempos recuados a costa marítima seria precisamente onde está hoje o rio Boco, e os terrenos que hoje existem a Oeste seriam primeiro mar aberto, e mais tarde pântanos. De resto toda essa região a Oeste de Ílhavo é dominada por locais de nome “gafanha”: é a da “Nazaré”, a de” Aquém”, a da “Boavista”, a da “Encarnação”, a do “Carmo”, a da “Vagueira”, a da “Boa Hora”, a do “Areão”… Quer isto dizer que toda aquela região era terra de “gafos”, ou seja, de leprosos. Portanto deve ter-se tratado de uma área inóspita, pantanosa e cheia de mosquitos, certamente em certos períodos com paludismo endémico.
Esta possibilidade pode de algum modo ser confirmada com a existência do topónimo “febres” no sul da antiga “costa velha”, no concelho de Cantanhede, que será a tradução para português atual do topónimo “Ílhavo”.
José Pedro Machado refere o uso de várias grafias antigas para este topónimo: “Iliauo” entre 1037 e 1065; “Iliauo” e “Iliabum” em 1088; “Ilauum” em 1095; “Ilhauo”  em 1176; “Ilhevo” e “Ilhovo” no séc. XVI.  É de notar que em especial as formas mais antigas são muito próximas do “iili’abu” fenício.
Dados todos estes factos sou de opinião que o topónimo “Ílhavo” deve ter nascido de “iili’abu”, com o significado de “costa das febres”, e que constituía designação genérica de toda a costa pantanosa da região da atual Ria de Aveiro. Mais tarde o topónimo acabou por ficar associado a um dos seus povoados mais antigos, a atual cidade de "Ílhavo".


terça-feira, 31 de dezembro de 2013

A cimalha e o alicerce - dos gregos aos assírios



Costuma dizer-se que a nossa palavra “cimalha” nasceu de um termo latino hipotético “cymacula”, ele próprio proveniente de uma palavra do “latim popular” “cyma”, sendo esta originária do grego “kyma”, que significava “rebento novo”. Simplesmente esse termo nunca existiu, não passando de uma palavra imaginada modernamente para justificar a existência da nossa “cimalha”.Também o chamado “latim popular” não é latim, e o “kima” grego é um “rebento de planta”… trapalhices. 



Quem conheça um pouco das línguas antigas do Próximo Oriente como o acádio, o assírio, o hebraico ou o ugarítico, verá imediatamente que este “alha” do final da palavra “cimalha” provém de “øl”  [âle] ou formas foneticamente próximas, que significam sempre “por cima, altura, por cima de, câmara superior, obra, etc.". A primeira parte da palavra, o “cima”, é comum ao nosso “cimo” e “cima”, e provém de “kima”, que significa precisamente “cimo” em acádio e assírio. Portanto a nossa “cimalha” é proveniente da forma fenícia “kimaøl” [cimaâle], que significa “cimo mais alto”, "cimo da obra" ou “cimo da câmara superior”. É possível que tenha tido precisamente o significado de "cimo da obra", dado que a palavra "alicerce" deve ter nascido de “ølsrs"  [âleserse] que significa "raiz da obra". 

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Contudo, ela move-se!

Sei que por certo há muito quem não queira que o meu trabalho seja divulgado e coloque em causa as "verdades" nunca questionadas sobre a origem latina da nossa língua. Por isso não me admiro que haja quem queira abafar o meu livrinho "A Origem da Língua Portuguesa". Suspeito que é isso que me tem acontecido na divulgação do livro. A última foi uma verdadeira "sabotagem à moda antiga". A do meu livro apresentação prevista para a FNAC do centro Vasco da Gama foi anulada. A mim foi-me enviado um mail dizendo que a FNAC tinha cancelado a apresentação; à FNAC foi enviado um mail (pela mesma pessoa) dizendo que eu tinha cancelado a apresentação...
Alguém me quer calar, ou melhor, quer calar o que eu descobri sobre "A Origem da Língua Portuguesa". Até pode ser que me consigam abafar e com isso continuar a dizer que o português é um "latim mal falado". Mas a verdade é que o português é mais fenício que latim.
Os que pretendem evitar o progresso do conhecimento têm poder, mas...
Contudo, ela move-se!

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Toponímia de Origem Fenícia - Fortificações

Boa parte dos antigos povoados tinha algum tipo de fortificação protetora dos moradores e seus bens. Essa característica por vezes ficou registada no nome pelo qual ainda hoje se conhece a povoação. No filme cujo endereço dou mais abaixo refiro alguns deles, como seja "Mós", "Castro", "Aljustrel", etc. No entanto há outros que não refiro nesse video.

http://www.youtube.com/watch?v=uLTRk8pM8Jk&feature=BFa&list=UUs-qL8gn0GLE2TJf02-r2kA&lf=plcp

Espero que gostem

segunda-feira, 2 de abril de 2012

PALAVRAS PORTUGUESAS DE ORIGEM FENÍCIA INICIADAS PELA LETRA "D"

DECORAR
Dizem os dicionários que o verbo “decorar” provém de “de+cor+ar”, sendo este “cor” proveniente do termo latino “cor” que significa “coração”. É certamente mais um caso de uma etimologia errada, pois está bem de ver que a ideia de “coração” tem pouca relação com o “saber de memória”. Por isso, penso que será muito mais provável que a origem da nossa palavra “decorar” esteja em “qr’ ”, já que “qr’ ” significa em fenício “recitar”. É evidente que essa ideia de “recitar” pode facilmente estar na origem do nosso dizer de "cor”, portanto "dizer de cor" é "dizer recitando". Daí o nascimento do  nosso verbo "decorar".

DEGREDO
A palavra “degredo” possivelmente provém de “daku redu”, que significa à letra “seguir a direcção do desterro”. A origem que geralmente é apontada para a origem desta palavra, em “decreto”,  termo latino que significa “decisão, decreto”, parece assim não ter sentido.

DEFEITO
A palavra latina “defectu” tem sido dada como origem da nossa palavra portuguesa “defeito”. A evolução fonética entre as duas formas não oferece qualquer problema, no entanto este termo latino “defectu” significa “desaparição; eclipse; defecção”, o que não corresponde à nossa noção de “defeito”. Na verdade a origem da nossa palavra deve estar no termo fenício “dfiøwt” (defiãeôt) que significa precisamente “defeito" ou "mácula que transtorna”.

DELIDO
A palavra “delido”, que significa em português “desfeito, arruinado, roto, gasto” tanto pode provir do fenício “dlt”, que significa “debilidade, pobreza”, como ter origem no termo latino “diluere”, que significa “dissolver, diluir, enfraquecer”. O mais certo é que neste e em muitos outros casos tenha havido uma evolução convergente dos termos latino e fenício para originar a actual palavra do português.

DERRAMAR
O nosso verbo português “derramar”, quando significa “entornar, espalhar”, ao contrário daquilo que geralmente se afirma nos dicionários, não provém de “ramo”. A sua origem é certamente “drrmh", que significa em fenício  de” que significa “arremessar fluido”.

DERREAR
“Derrear”, é “fazer vergar as costas, torcer, curvar-se, etc.”. Evidentemente que o termo não tem origem em “renes”, que significa “rins” em latim, conforme pretendem alguns autores. A palavra é de origem fenícia e provém do radical “t’r” que significa “encurvar, dobrar” (este é um dos muitos casos em que o "t" fenício evoluiu para o "d" português.

DERROTAR
Aceita-se que a palavra “derrota”, e o verbo “derrotar” tenham origem no termo latino “rupta”, particípio passado feminino de “rumpere”, que significa “romper, separar”. No entanto ambos devem provir do fenício, de “t’ rdd” (com metátese passou a “ddrt’”), que significa precisamente “atacar e subjugar”, “atacar e submeter” ou “atacar e repelir”, e nada tem que ver com a ideia de “romper”. Pode no entanto o termo português provir apenas do termo fenício “rdd”, que após metátese pode ter passado a “drd” e “drt”, apenas com o significado de “repelir, subjugar ou submeter”.

DIQUE
A origem geralmente proposta para esta palavra é “dijk” (holandês). No entanto, em fenício, “diq” é “trincheira”, e parece mais provável que a palavra/conceito tenha surgido no próximo oriente, pois já haveria diques aí muitos milhares de anos antes dos primeiros diques holandeses terem sido construídos.

DIREITA (rua)
O “direito” no sentido de “recto” terá certamente origem no termo latino “directu”, que significa precisamente “em linha recta”. Já as várias “rua direita” que existem em outras tantas cidades portuguesas, e que são frequentemente tudo menos direitas, terá origem em “drk”, que significa “caminho”, ou mais provavelmente, em “drkt”, que significa “domínio, poder”. As “ruas direitas” são as ruas que conduzem ao centro de poder das cidades, e logo a sua origem nada terá que ver com o termo latino “directu” (em linha recta), mas antes com o fenício “drkt” (caminho do poder).

DÓ (ter)
Ter “dó” é “ter pena, ter compaixão, ter piedade”. Diz-se que provém do “dolo” que é “latim tardio” (isto do "latim tardio" é uma invenção dos latinistas para classificar de latinas a palavras que não o sendo efetivamente aparecem em textos medievais de base latina)  a  e significa “dor”, mas é provável que esse “dolo” seja a forma fenícia “dw” ou “dwh”, que significa “estar doente, doença”. Assim, provavelmente a nossa palavra “dó” tem realmente relação com “dolo”, mas este termo não é “latim tardio”, mas antes a latinização medieval do termo fenício, que aparece escrito em textos de base latina.

DOENÇA
Em fenício, “Dw” é “enfermo, doente”; “dwh” é “doente, menstruada”; “dwi”, é “indisposição, doença, doente”. Parece haver uma relação com episódio temporário (indisposição, menstruação). Por outro lado “anš” também significa “doença”, mas num sentido algo diferente: em ugarítico é “doente, débil, condenado”, e em hebraico antigo é “adoecer, incurável, calamitoso”; em acádio e em assírio-babilónio “enešu” é respectivamente “enfraquecer-se, ceder” e “enfraquecer, decair”, e “enšu” em acádio é “ser fraco”. Em qualquer dos casos deve ter sido da combinação dessas duas ideias base que surgiu a palavra “dwhanš”, e que veio a originar mais tarde a nossa palavra “doença”. A origem da palavra geralmente aceite é a forma latina “dolere”, que significa “sentir dor”.

DOIDO
Aceita-se habitualmente que a palavra “doido” tenha uma origem obscura. No entanto, em fenício “døhdw” significa “conhecimento doente" ou "sabedoria doente”, o que parece ser uma possibilidade de origem da palavra portuguesa.

DOMINGO
Aceita-se que a nossa palavra “domingo” resulte do termo latino “domínicus”, que significa “o que pertence ao senhor, ou a Deus” e que passou a ser aplicado ao dia de culto, que entre nós é o domingo. Contudo “dômi” ou “dômih” é em fenício “descanso”, “dômim”, é “sossego”, e “igiø” significa “trabalho, labor”. Assim, por exemplo, “dômimigiø” (ler "dômimiguio") será “descanso do trabalho”.
É nestas situações em que melhor se observa que num fenómeno de confluência das duas línguas. Parece que a língua é um organismo vivo e de consciência autónoma que procurou a solução que satisfizesse os falantes de ambas as línguas originais - o latim e o fenício. Para os falantes de latim (maioritariamente o clero da classe dominante) o novo termo “domingo” agradava, porque em seu entender se referia ao culto nas suas igrejas e ao seu Deus; para o povo falante da velha língua popular o novo termo fazia sentido, já que se referia ao dia de descanso. Assim deve ter nascido o “domingo” - ainda hoje dia de culto e de descanso.

DOR
A palavra “dor” deve resultar de mais um fenómeno de confluência entre o latim e o fenício. Em latim “dolore” é “dor” (física ou psicológica); em fenício “dw” é “estar doente”, “dwh” é “estar doente” mas também “estar menstruada”. Da fusão das duas palavras “dolore” e “dw”, nasceu a nossa “dor”, que foneticamente é um compromisso muito interessante entre as duas formas, e que do ponto de vista do significado conseguiu acumular os significados provenientes dois termos originais: do latino retirou a “dor” mais de carácter psicológico (dor moral, aflição, pena, etc.) e do fenício mantém o significado ancestral de “menstruação” ainda usado nos nossos campos. 

segunda-feira, 19 de março de 2012

O nome "Beja" e as tontices que se dizem

Têm-se gasto tempo e tinta sem conta a escrever tontices sobre a origem e significado da palavra "Beja". Está bom de ver que o nome nada tem que ver com a "Pax Julia" dos romanos, muito embora estes lhe tenham chamado assim. Também nós chamámos "Nova Lisboa" a uma cidade de Angola que foi edificada num sítio chamado "Huambo", e assim que deixámos o local o velho nome regressou em pleno. Os nomes são tenazes e os povos conservadores no seu uso... Está bom de ver que a cidade alentejana se chamava "Beja" muito antes de as sandálias dos invasores terem pisado a planície do Baixo Alentejo. Partindo os romanos, o nome, que por certo nunca deixou de ser usado pelo povo autóctone, voltou a ser designação oficial e a constar dos escritos.
Tem a sua graça a origem do nome, porque na Tunísia há também uma "Bèja", e o nome tem evidentemente a mesma origem.
Vamos a isso: "Beja" tem origem na palavra fenícia "bej" ou "bex", que significa genericamente "lama, lodo", e que neste caso foi aplicado aos famosos "barros negros e férteis de Beja". Veja-se agora o que diz a página da Wikipedia sobre a "Bèja" tunisina:
“Caractéristiques des sols de Béja, le vertisol, sol très fertile, est riche en argile contenant une couche d'oxyde d'aluminium enserrée par deux couches de tétraèdres de silice. Ces sols se forment dans les régions où les climats présentent de grandes différences saisonnières et sont alternativement saturés en eau en hiver puis desséchés en été. En gonflant et se rétractant en fonction de leur teneur en eau, les feuillets des argiles piègent un peu de matière organique si bien que ces sols argileux très caractéristiques sont noirs[8]. Hérodote attirait déjà l'attention sur ce type de sol[9]. Cette fertilité du sol de Béja est légendaire(...). »

sexta-feira, 16 de março de 2012

O Trabalho

TRABALHO

É clássica a afirmação de que a palavra “trabalho” viria de “trabalhar”, e este verbo teria origem numa hipotética palavra latina “tripaliãre”, que significa “torturar com tripãliu”, este derivado de “tripãlis”, que é um objecto de tortura formado por três paus”.

A palavra “b’l” significa “fazer” em ugarítico, e a expressão correspondente em hebraico antigo é “pøl” (pãel), que significa “fazer, trabalhar, realizar”, ou “trabalho, obra, recompensa, salário”. É sabido de muitas outras situações que o “b” e o “p” são duas representações gráficas distintas de um mesmo som indistinguível, por isso trata-se apenas de duas representações gráficas diferentes de uma mesma palavra que devia significar trabalho mas no sentido de “atividade remunerada”. O início da palavra deve ser “eţeru”, que em acádio significa “pagar, economizar”, ou “itrh” que significa “economias” em hebraico antigo. Após a queda da vogal inicial teremos a forma “trh b’l”, que significa “trabalho pago”, ou algo de muito semelhante. Por isso ainda hoje há uma certa associação entre a remuneração da atividade e o facto de lhe chamar trabalho. Dizemos por exemplo que as domésticas não trabalham, porque não executam atividade remunerada, e não porque não façam nada…

quinta-feira, 15 de março de 2012

Rasgar novos caminhos no conhecimento da origem da língua portuguesa

O conhecimento passa por fases de rotura, em que se alteram alguns dos seus paradigmas, e por outras de continuidade, em que se desenvolvem de forma sistemática esses novos princípios.

O que vos vou propor é a rotura com o conhecimento geralmente aceite no domínio da origem da língua portuguesa, e essa rotura terá inevitavelmente reflexos em vastos domínios do conhecimento. Mas para sair do conhecimento universalmente aceite e enveredar por caminhos novos é preciso coragem. Às vezes o “rei vai nu” mas custa ser o primeiro a afirmá-lo.

Tem sido aceite de bom grado que é impossível determinar qual a língua falada pelos povos da península Ibérica antes da invasão romana, e desse modo atribuiu-se ao latim a origem de quase todas as palavras do vocabulário português. Quando não se encontravam objetivamente raízes latinas para a palavra, dizia-se que era “latim popular” ou que proviria de uma “forma hipotética”. Exemplifico para que melhor se compreenda a situação a que se chegou. Temos em português o verbo “abalar” usado no sentido de “executar uma deslocação”. Como não havia em latim uma raiz aceitável para essa palavra, inventou-se uma: diz-se que “abalar” deve ter tido origem numa forma hipotética latina “advallãre”. E pronto, dito e redito mil vezes passou a ser verdade inquestionável. Mas… “advallãre” efetivamente nunca existiu, e se tivesse existido significaria “lançar-se num vale, ao fundo”, o que, convenhamos, não tem jeito nenhum. Por outro lado existe em fenício a forma “abalu”, que significa “levar, trazer, carregar”, palavra que é obviamente muito melhor candidata a origem no nosso verbo “abalar”. Casos como este são às centenas...

Da reapreciação da etimologia do português, da análise da toponímia, da compreensão de muitas lendas populares e mesmo da decifração da escrita do sudoeste, pode concluir-se com segurança que a língua do povo que foi invadido pelos romanos era uma língua muito próxima do ugarítico, do acádio, do assírio ou do hebraico antigo. Entender a origem das palavras, o significado dos topónimos ou das lendas e decifrar a escrita do sudoeste é o trabalho de que dou conta, mas que está apenas no início.

Os mais capazes vão perceber esta mudança de princípio em pouco tempo; outros demorarão mais algum tempo, terão dificuldade em aceitar o novo pensamento por uma questão de princípio; mas os muitos que defendem o conhecimento oficial, seja ele qual for, e independentemente de critérios de razão, continuarão agarrados ao que sempre se disse como se de religião se tratasse.

terça-feira, 6 de março de 2012

Documentários a língua portuguesa

Vou iniciar a publicação de um conjunto de documentários simples sobre os assuntos que também abordo neste blog: língua portuguesa e sua origem; toponímia e o seu significado; lendas e sua compreensão; Escrita do SW e sua decifração. O primeiro, coisinha de apresentação sem grande graça, está em:

http://www.youtube.com/user/fernaalmeida?feature=mhee#p/u/0/7AlJKteibhM