segunda-feira, 11 de novembro de 2013

O NOSSO TREMOÇO E O CALOR DOS GREGOS

Algumas vezes, a vontade descontrolada de criar uma relação entre o português e os "clássicos" (tão venerados pela nossa intelectualidade tradicional) aproximou-se do ridículo. Vejam como se tentou relacionar a palavra "tremoço", que como toda a gente sabe se dá bem com coisas frias (é evidentemente o caso da cerveja), com o "thérmos" grego, que significa "quente".


Mas na verdade a nossa palavra “tremoço” tem por certo origem fenícia e não grega, já que em acádio “tarmus” significa precisamente “tremoço”. Portanto a origem grega não tem o menor fundamento ou razão de ser.
Actualmente também não se compreende a vontade de ter uma ascendência grega, a menos que se queira com isso explicar as semelhanças no que respeita à crise...

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Para quem gosta de ver e ouvir...

A origem da língua portuguesa em pequenos vídeos explicativos sobre temas concretos, onde também se aborda a toponímia e a sua origem.
Podem ser vistos em:

A Origem da Língua Portuguesa:
https://www.youtube.com/watch?v=yhw8VEMTWGc

A Língua, o Poder e o Povo:
https://www.youtube.com/watch?v=2qkEZTgZ2Qo

O Artigo definido em português e em hebraico antigo:
https://www.youtube.com/watch?v=2qkEZTgZ2Qo

Toponímia portuguesa de origem fenícia:
https://www.youtube.com/watch?v=uLTRk8pM8Jk

Toponímia de origem fenícia - "Mal Lavado"
https://www.youtube.com/watch?v=ZxGSBlhQI-8

"Chada" - Origem e significado do nome:
https://www.youtube.com/watch?v=tCHuOGIkRvw

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

A língua antiga e a arqueologia

Conhecer a língua falada pelos nossos antepassados pode converter-se numa ferramenta sem igual para a pesquisa arqueológica. O estudo da toponímia dos nossos campos, quando realizada com base neste novo conhecimento, ajudará em muito aos levantamentos de campo e pode mesmo ajudar a esclarecer as funções de certos achados.
Dou alguns exemplos para que melhor se perceba: os topónimos que incluem o radical "cabra" usualmente referem-se a sepulturas. "Qabru" em acádio é "sepulcro"; "qbr" em ugarítico tem o mesmo significado, e "Qèbèr" em hebraico antigo é o mesmo. Assim, "Cabeça da Cabra" significa "cemitério", já que deve provir de "qbs qbr" que significa "sepulturas juntas" ou "concentração de sepulturas". Também o comum topónimo "Cabra Figa" se refere a sepulturas, mas neste caso de "incineração". "Cabra assada" é a evolução de "qbr asad" que não é senão "encosta das sepulturas".
Já nem comento tontices como a de admitir que "Cabra Assada" teria sido nome nascido de um petisco entre amigos em que a vítima era uma cabra. É claro que este tipo de interpretações é despropositado e infantil, e devia ser de uma vez afastado de qualquer área de conhecimento que se reclame de ciência.
Conforme "cabra" na maior parte dos casos nada tem que ver com domésticos do Homem, também topónimos como "Cardo", "Cardosa" ou "Cardoso" devem ter geralmente pouca relação com a planta espinhosa a que chamamos "cardo". "Qaradu" (ou "qrd") significa "guerreiro", "herói" e "âz" é "ser forte" (daí também o nosso "ás"). Logo "Monte da Cardosa" é provavelmente um local onde existiu uma fortificação com guerreiros.
Os milhares de topónimos diferentes que existem em Portugal, depois de devidamente estudados e compreendidos trarão novos conhecimentos. Veja-se ainda como exemplo simples, que os topónimos que contêm o radical "alc" correspondem a realidades relacionadas com caminhos. Há seguramente topónimos "Alcaide" que significam apenas "junto ao caminho".
Penso por isso que quem queira evoluir na arqueologia de campo terá que mais cedo ou mais tarde compreender (e aprender) a origem da língua portuguesa.
E sendo assim, mais vale cedo que tarde.